terça-feira, 1 de outubro de 2013

Delta transferiu R$ 300 milhões para empresas de fachada

Fernando Cavendish, dono da DELTA
Fernando Cavendish, dono da Delta (Eduardo Knapp/Folhapress)
A empreiteira Delta desviou em cinco anos cerca de 300 milhões de reais, em um esquema de transferência de recursos para dezenove empresas de fachada, todas ligadas ao ramo da construção civil. Grande parte do dinheiro foi sacada em espécie no período de 2007 a 2012. As informações são do delegado da Polícia Federal Tacio Muzzi, coordenador da Operação Saqueador, iniciada no fim do ano passado em parceria com o Ministério Público Federal.
"Estamos verificando a origem do dinheiro transferido. Há fortes indícios de desvio de recurso público, porque grande parte dos negócios da Delta envolvia obras públicas, dos governos federal, estadual e municipal", disse o delegado, em coletiva de imprensa realizada na tarde desta terça-feira, no Rio. "A maior parte dessas empresas que receberam o dinheiro nunca teve funcionários, e os sócios não têm capacidade financeira compatível", complementou.
Ainda de acordo com Muzzi, o esquema contava com dez a vinte laranjas, e todos "possivelmente" tinham ciência dos desvios. O foco da investigação é a Delta, enfatizou o delegado, mas se surgirem indícios de irregularidade nos contratos com governos, também será apurado. De manhã, foram cumpridos mandados de busca e apreensão na sede da construtora Delta e em filiais da empresa de Fernando Cavendish - que também teve seu apartamento vasculhado, no bairro do Leblon, Zona Sul do Rio.
Ao todo, 100 homens da PF cumpriram vinte mandados de busca e apreensão em São Paulo, no Rio e em Goiás desde as 6h desta terça. Em escritórios e residências esmiuçadas no Rio e em São Paulo, foram apreendidos 350.000 reais em espécie. Na casa de Cavendish, foram recolhidos documentos, dinheiro e três carros de luxo. "Os veículos teriam sido adquiridos com dinheiro ilícito", afirmou o delegado Roberto Cordeiro, superintendente da PF no Rio.
A operação teve origem a partir de dados repassados pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Congresso que investigou as ligações do bicheiro Carlinhos Cachoeira com políticos. Segundo os policiais, os trabalhos devem se estender por mais 30 dias, para se descobrir de onde vieram os 300 milhões de reais. Os envolvidos no esquema responderão por formação de quadrilha, peculato, lavagem de dinheiro e corrupção ativa e passiva.